quinta-feira, 22 de abril de 2010

BRADAN 2010, que comecem as batalhas!


Por Ana Ostapenko

Fotos Goldemberg Almeida

Incorporar a música; senti-la na alma; e começar a dançar. É assim que os Bboys Wildenis, King Wild, 23, e Mario, Rockabros, 18, vêem sua arte. Eles são os vencedores da edição 2009 do Break Dance Brasil, o BRADAN, primeiro festival nacional de break promovido pela Central Única das Favelas - CUFA, que levou ao Rio de Janeiro bboys de todo país em busca do titulo nacional.

Eles dançam a quatro anos, são tradicionalistas no estilo locking, seu maior ídolo é o precursor da dança, James Brown, e tem como maior sonho um dia ir ao Bronx, Nova Iorque, o berço do break. E o melhor, dizem tudo isso com um brilho nos olhos. Aquele brilho que só vemos em quem sente paixão pelo que faz, mesmo que essa arte não gere renda a eles.

Mario me dá uma aula de break contando toda a trajetória dessa dança, e como ele se apaixonou por ela em um dia vendo um menino dançar na escola em que estudava, “foi paixão a primeira vista”. Embora ele não tivesse a ginga necessária, se esforçou e aprendeu os primeiros passos, e a partir daí entraria no mundo da dança que hoje dita seu estilo de vida, pois segundo ele, é um bboy 24 horas por dia. Will, mais comedido, também concorda com isso. Ele dança há mais tempo, num tempo onde não havia vídeos para se espelhar, nem vídeos, apenas parcos exemplos como seu primo,o incentivador do dançarino.

Com o advento da internet, o acesso ficou muito mais fácil a novas técnicas de dança. O aprimoramento é constante e sempre há algo a aprender, desde novos giros, passos, e performances, como também em encontrar músicas adequadas para as batalhas, que é como eles chamam os encontros onde os bboys disputam pelo melhor desempenho na pista de dança.

O BRADAN foi um capitulo à parte na vida desses meninos. Foram 21 horas de viagem dentro de uma van de Dourados à cidade do Rio de Janeiro, e chegaram lá no dia da competição e não tiveram muito tempo pra descansar. Quando chegaram ao local da competição, o frio na barriga veio, mas a vontade de mostrar sua arte era maior ainda e eles seguiram pra luta.

Foram três batalhas de 4 a 6 minutos até a grande final que durou 8 minutos, e 2 eternos minutos de decisão dos jurados. Eles se diziam contentes em ter chegado até ali. Disputar uma final então... O segundo lugar já era de bom tamanho, uma vez que eles disputaram com as duplas da casa. A surpresa foi enorme quando todas as mãos do júri apontaram pra eles. Mario conta que demorou a “cair a ficha”, pois nunca tinha participado de um campeonato daquela magnitude, e Will não sabia o que fazer quando presenciou essa cena. E, sim, para eles foi a glória.

Junto com o prêmio veio o reconhecimento da dança aqui no estado de Mato Grosso do Sul. Na escola em que eles dão aula os alunos se orgulham dos professores que tem e se empenham ainda mais para um dia tornarem-se grandes bboys.

Esse ano tem a segunda edição do BRADAN, e os bboys estão ansiosos para fazer o seu show nas pistas do Estado e claro na grande final,que este ano será em Cuiabá-MT, os atuais campeões pretendem dançar muito pra garantir o bicampeonato,pois eles sabem que não é fácil, mas mesmo assim são enfáticos: “Dançaremos até o fim”.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Conheça os artigos produzidos pelos Colunistas da CUFA


Por Fernanda Quevedo

Portal CUFA

A seção de Colunistas do portal da CUFA esta com novos artigos. O fato é que membros da organização estão produzindo semanalmente textos com o mais variados temas que vão desde opiniões sobre o meio ambiente, questões raciais, e até maioridades penal, e que têm tudo ver com o cotidiano dos Cufistas. A idéia é que estes expressem um pouco daquilo que a CUFA pensa, sente e percebe.

Para ler todos os artigos já publicados clique AQUI!

Confira os artigos publicados recentemente:

Ederson Deka – CUFA MT
Título: O Retorno é possivel

Francisco José Pereira (Preto Zezé) – CUFA CE
Título: O Protocolo da Favela

Manoel Soares – CUFA RS
Título: Coração Maduro

Giovanni Nobile Dias – CUFA Paraná
Título: Disputa


quarta-feira, 14 de abril de 2010

CINECUFA - DA PERIFERIA PARA O MUNDO



Por Cristiana Richard

A partir de uma palestra de Cacá Diegues no Fórum Permanente da Cufa, é despertado o interesse pelo audiovisual. Foi percebido que o hip hop é importante, mas não poderia ser a única referência. A missão era maior, era contribuir para que os jovens se organizassem ainda mais sem abrir mão de seus protagonismos. E assim em 2004 é criado oficialmente o primeiro Núcleo de Audiovisual da Cufa, situado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O curso de audiovisual conta desde sua criação com os mais renomados professores da área, como Cacá Diegues, Ivana Bentes, Rafael Dragaud, Paula Lavigne e Silvio Tendler, entre outros. Permite que jovens façam seus filmes com uma visão da favela, de como a periferia vê o mundo. Também é uma porta a mais para estes jovens no mercado de trabalho, como a parceria com a produtora “Luz Mágica”, de Cacá Diegues.

O núcleo de audiovisual da Cufa que reúne diretores, produtores, técnicos e roteiristas, em sua maioria, formados pela instituição, é internacionalmente reconhecido pelo premiado documentário "Falcão - Meninos do Tráfico", de Celso Athayde e MV Bill.

Renata Athayde é uma ex aluna do curso de audiovisual e hoje trabalha na produtora “Aquarela Filmes”, no Rio de Janeiro. Renata conta que o mais importante para ela no curso foi a oportunidade de colocar em prática o que se aprende – “os alunos começam a ter uma noção do que realmente é produzir, filmar e dirigir. É uma tremenda responsabilidade e de fato uma grande chance.” Renata diz também que todos deveriam aproveitar a oportunidade única – “acho que os alunos do curso devem tirar proveito de todas as aulas e principalmente dos professores do curso que são profissionais que atuam diariamente nesse mercado e tendem a passar todas as experiências, o que pode acontecer até mesmo de trabalharem juntos em algum projeto no futuro.”

Criar o Festival Internacional de Cinema - o Cinecufa, foi uma maneira de atender a demanda destas produções do curso, foi uma porta de saída. O festival também tem o propósito de mostrar aos jovens o que está sendo produzido no mundo todo, servindo de referência para estes jovens. Com o movimento do Cinema Novo na década de 50, um cinema mais realista, a favela foi retratada diversas vezes. Mas a proposta do Cinecufa é inverter esta posição, com a favela mostrando por ela mesma seu retrato, contando sua história e o que pensa do mundo.

O Cinecufa impulsionou a expansão das Cufas internacionais, haja vista que o festival recebia produções de favelas do mundo todo, percebeu-se a necessidade da Cufa no exterior. A Cufa internacional hoje está presente em mais de dez países, entre eles: Áustria, Itália, Estados Unidos, Bolívia e Colômbia.

O Núcleo de Audiovisual da Cufa inspirou outros projetos de cinema, além do CineCufa do Rio de Janeiro. Existe a mostra itinerante “Ver Favela”, RJ, que exibe produções feitas pelos alunos nas comunidades; “Cine Periferia Criativa”, DF, que é uma mostra de vídeo que tem como objetivo difundir a cultura da periferia; “Cine Teles Pires”, MT, que visa a democratização do acesso a obras audiovisuais, com ênfase na produção brasileira; “Cine Crioula”, MA, que está em fase de construção.

O Cinecufa está em sua quarta edição onde o pré-requisito para exibição é a favela ser a protagonista. O festival acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil – RJ em julho, com entrada gratuita. Para saber mais acesse o site www.cinecufa.com.br.

Favela tem voz, só precisa ser ouvida



O que os moradores das favelas pensam sobre as tragédias causadas pelas enchentes em todo Brasil nos últimos meses? O que está faltando para esses problemas não se repetirem nas próximas chuvas? O que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida dos moradores de favelas, palafitas, periferias, assentamentos, comunidades populares e etc. A CUFA -Central Única das Favelas- quer saber o que eles pensam, quer ouvir a voz da favela, e você quer ouvir?
Com sua participação, uma pesquisa inédita será realizada pela Cufa em parceria com IBPS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social). Usando a entrevista como método e ouvindo 2.000 moradores de todo país, ouvindo o que eles têm a dizer sobre os temas que consideram mais relevantes e urgentes para a construção de uma Agenda Política e Social.

A pesquisa será realizada com total transparência, tendo um valor estipulado de R$ 70.000,00 (setenta mil reais). Para garantir a ação, precisamos mobilizar muitos parceiros, uma vez que não desejamos verba pública para que não haja dúvidas sobre o resultado. Ajude-nos a ouvir a voz da favela! Contribua com o mínimo de R$ 5,00 (cinco reais) diretamente na conta do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, e mande sugestões de temas e perguntas para o e-mail
pesquisacufa.ibps@cufa.org.br.
Informamos que a pesquisa será iniciada a partir da obtenção do valor integral.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Através de Oficinas da CUFA-MS, grupo indígena lança CD


Eles vivem na segunda maior reserva indígena do país, cantam rap misturando guarani e português, uma inusitada mistura que soa diferente aos ouvidos num primeiro momento, mas logo depois você se acostuma e fica bem interessante essa mistura genuinamente brasileira.

Estou falando do grupo Brô, um grupo de jovens indígenas, Eles Vivem na Aldeia Jaguapiru, em Dourados – MS. A Reserva possui hoje mais de 30 mil habitantes e esses jovens, através das oficinas de hip hop ministradas pelo MC Higor Marcelo, do grupo Fase Terminal, se identificaram com as letras de protesto do rap nacional e decidiram criar seu próprio estilo com composições em português e em sua língua nativa.

No começo era só mais uma lição das aulas, mas depois que viu as letras, Higor decidiu que o rap dos meninos não poderia ficar confinado àquela aldeia, ele tinha que ganhar o mundo e foi assim que surgiu o projeto do primeiro cd de um grupo de rap indígena do Brasil.

Em dezembro foi o lançamento do cd, no festival Conexão Hip Hop, realizado pela CUFA Dourados e os meninos, minutos antes de subir no palco estavam apreensivos, ansiosos, com medo até de esquecer a letra, mas segundo eles, foi só subir no palco que tudo passou, foram muito aplaudidos pelo público local e no fim todo mundo queria saber de onde vinham aquelas palavras incompreensíveis aos nossos ouvidos, eles só diziam “é a língua verdadeira do Brasil”.

Hoje as poucas cópias feitas de maneira artesanal já andam pela cidade de Dourados e alguns lugares do país, instigando e encantando aqueles que curtem o rap e também por aqueles que se interessaram por esse modo novo de cantar a realidade de onde eles vivem, o amor, o protesto.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Oficinas na Aldeia





A Central Única das Favelas de Dourados retoma oficinas culturais na Aldeia Indígena Jaguapirú-Bororó.

Ao longo do ano de 2009 diversas ações foram realizadas na Aldeia indígena pela CUFA Dourados entre elas, palestras, seminários, shows e oficinas culturais, como aulas de MC e Break para jovens indígenas.

As oficinas têm como objetivo levar a cultura Hip Hop como uma ferramenta de acesso e meio de divulgar as manifestações artístico-cultural dos indígenas para sua comunidade, bem como para os não índios, de forma a combater preconceitos e estereótipos dos não índios para com os indígenas, ato este percebido com freqüência na cidade. Nesse sentido as oficinas visam trabalhar além dos formatos do Hip Hop conhecidos e assimilados pelos jovens da Aldeia, como também trabalhar com elementos culturais dos índios, mostrando a fusão das culturas e possibilitando um diálogo transformador na realidade e na auto estima desses jovens. Na dança está sendo trabalhado o Breaking em conjunto com o guaxiré dança típica indígena, o que tem gerado forte impacto dentro e fora da aldeia. A oficina de MC trabalha na fusão da língua portuguesa com o guarani, lendas, mitos e luta dos povos indígenas, algo que traz toda a representatividade do grupo.

Recentemente foi lançado no Festival Conexão Hip Hop projeto da CUFA Dourados o CD demo do grupo Brô MC´s o primeiro grupo de rap indígena do Brasil e vem fazendo muito barulho onde toca.